Apesar da definição de valor agregado se mostrar perfeitamente capaz de suprir quaisquer dúvidas quanto a uma adição de valor real ao produto e seus conseqüentes reflexos no comportamento do mercado ao longo de todas as etapas de benefícios incorporados ao produto, muito se tem esquecido de debater e esclarecer o ponto de origem exato a que se propõem estesbenefícios além dos estágios de qualidade global alcançada.
A própria qualidade global, por ser logo sentida no consumidor final, obscurece uma retro-análise dos passos sugeridos àquela melhoria alcançada no produto final. Isto porque a lógica de um produto melhorado ser sempre igual a uma produção mais condizente com todas as políticas de qualidade é cômoda e conivente com uma política de fiscalização historicamente malquando raramente sequer chega a ser concretizada, de fato. conduzida e executada no Brasil -
As ferramentas de otimização de fatores como conveniência e facilidade de utilização estão diretamente ligados a um controle de mercado natural definido pela satisfação do consumidor. Ou seja, constatações como a embalagem ergonômica, o sabor apurado ou o rendimento do produto são claramente responsáveis por uma melhoria de benefícios ligados ao consumidorfinal. Contudo, tais melhorias geralmente ligadas a uma política de investimento de qualidade, mas nem sempre são repassadas a todas as etapas de produção nas quais venha a se inserir a mão-de-obra como parte beneficiada do processo como um todo.
Exemplo ótimo é a cana-de-açúcar. O vôo da fênix no consumo de álcool mais uma vezcinzas começa em 2002 pelas políticas governamentais de eliminação de taxassobre os carros flex. O sucesso da empreitada é obviamente constatado nas ruas do país comquase 90% dos carros produzidos nacionalmente ostentarem a bandeira do motor capaz de operar a gasolina, álcool ou usando ambas as opções. ressuscitada das
Os números da última safra chegam a quase 500 milhões de toneladas de cana ou praticamente 20 bilhões de litros de álcool. Isto também significa centenas de novas usinas já sendo instaladas ou dourando no forno das pranchetas de projeto. Num retrato típico do Brasil, o álcool volta a serum tremendo sucesso de investimento e desenvolvimento... sentido por poucos.
A quantidade de álcool na gasolina se encontra há muito regulamentado – ainda que não seja nunca considerado nos índices de preço do combustível face às oscilações do barril de petróleo. É menos poluente. Alavanca salários e emprego. Os adventos tecnológicos são estáveis. Tudo isto é fato. Vide como também cresceu a capacidade de corte nos canaviais:
Hoje, a vida útil do cortador é de 12 anos, segundo pesquisas de fontes oficiais, e presumivelmente igual à vida útil dos escravos até 1850, antes da proibição do tráfico da África. Cortadores hoje atingem a marca de 12 a até 15 toneladas de cana cortada por dia. Segundo o Ministério do Trabalho, o resultado diário no corpo é de 8 litros de água perdidos, mais de 70 milgolpes de facão e mais de 35 mil flexões de perna. Se os dados oficiais são alarmantes, o que nãodizer ao se lembrar de que a fiscalização – também responsável por estes dados, é extremamente falha denotando uma situação ainda pior na dura realidade das plantações?
A economia Ricardiana clássica parece não envelhecer jamais nas cartilhas de algunseconomistas e líderes brasileiros - ainda que tenham alcançado, literalmente a muito custo, umem Sorbonne ou outro sagrado templo fora da colônia – que insistem em pintar o investimento na especialização de cultivo da mamona ou na cana-de-açúcar como oportunidadesob o dossel da maravilhosa expectativa de (sic) abertura ao mercado americano. Esta mesma economia não dá conta, assim como não o fazem os próprios dados oficiais, da cruelseleção, por exemplo, de cortadores que não chegam a uma meta tal qual anteriormenteregime de trabalho escravo. Aumenta a demanda, aumenta a oferta de mão-de-obra barata desde sempre fotografada nas plantações de cana. No início da safra, do grande número de cortadores, muitos vão sendo dispensados, ficando apenas os que alcançam a média acima de 10 toneladas por dia. PHD firmada comparada ao ca aç 1fato.
Esta é a abissal polarização entre o sucesso e a desgraça vista na indústria do álcool. Se o lado das condições subumanas já é bem conhecido, a memória do sucesso também está presente, revelada nas grandes movimentações financeiras e obtenções de dividendos com o apoiogovernamental. É sucesso quando a Cosan se firma como a maior empresa do setor tendo adquirido várias usinas endividadas e se erguendo a partir de um plano de desenvolvimentosustentável para levantamento de fundos além, é claro, de toda a eficácia aguda do seuSucesso quando a mesma Cosan alcança índices superiores a R$ 3 bilhões na última safra. Sucesso quando vencida a Bovespa, parte para o exterior, expande as margens de investimento. controlador, Rubens Ometto.
Sem contar que todo este incrível salto parte de decisões como eliminação de taxas. Ou, ainda, do perdão governamental das dívidas de vários usineiros. Tudo em prol de um benefício socialmaior. Como bem se nota nas inúmeras usinas que ultrapassam em muito o número de fiscais do Ministério do Trabalho, sendo humanamente impossível exercer um trabalho eficiente – aliás, real, em todas as áreas de condições miseráveis dos cortadores.
Mas a crise econômica atual vem crescendo. E logo virá a queda dos preços dos commodities. Quem sabe o açúcar será afetado. Quem sabe, alguma coisa mude. Mas não para quem sofre, apenas para quem esquece.
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